Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

Escrito pela:Rêca Zucher
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Domingo, Dezembro 24, 2006

Escrito pela:Rêca Zucher
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Sábado, Dezembro 23, 2006
Há Muito Tempo Atrás...
Eu tenho me perguntado, aliás quem me conhece sabe que sou uma questionadora em potencial, se os dias tem passado muito rapidamente, ou se eu é que ando
muito lenta, não acompanhando o ritmo desta vida acelerada, fazendo coisas de menos e quando me dou conta, puft... Já estamos no final de ano, o Natal está aí, Ano Novo, vida nova...
Vida Nova? Não sei... Mas a esperança de que será nova, isto eu sempre hei de ter e como dizia Drumond, quem fatiou o tempo em meses e anos foi um ser genial.
Comecei este post há quase 15 dias atrás e somente agora consegui terminá-lo. Foi uma correria tão louca no trabalho, casa, e pra ajudar a Globo entrou e manutenção quando voltou minha assinatura estava bloqueada por falta de pagamento. Paguei, mas não liguei para desbloquear porque andava sem tempo mesmo para postar, e usei l login do Goca por alguns dias para conectar.
Perdida na correria do dia-a-dia, não me dei conta do Natal, exceto pelo que via nas decorações berrantes, pensando assim "Isto fica para quem pode e tem tempo para se dedicar a isto, eu não tenho tempo, nem família para ficar pensando no que farei ou deixarei de fazer nesta data e ainda por cima não terei nenhum descanso extra, e trabalharei por 3 ao invés de apenas por uma, porque os dois que trabalham comigo já saíram de férias.
Nunca montei uma árvore de Natal, porque minha mãe não tinha este hábito, mas foi algo que sempre me encantou.Logo que as decorações chegaram as lojas para venda, por acaso passei em uma e cotei uns preços, absurdos para o que eu queria, porque eu queria TUDO. Deixei pra lá e pensei: quando a família estiver toda reunida novamente, aí sim farei a árvore dos meus sonhos, é, aquelas de 2,30 de altura rs...
Os dias foram passando e eis que surge uma pergunta fatídica, saída de uma boca pequena, que não sabe exatamento o porque daquilo tudo, mas que acha maravilhoso: "Mamãe, e a minha árvore de Natal? Na escolinha tem..." e realmente tinha. O engraçado é que dias antes a Sandra tinha me cobrado em fazer isto, dizendo que mesmo que fosse algo simples, eu deveria fazer junto com ela, eu respondi que ia ver, mas que não estava animada pra isto não.
Terminei vencida por uma menina de menos de 1 metro, indo as compras na Americanas, para comprar uma árvore menor e mais em conta, e todos os penduricalhos necessários. Em momentos assim eu também viro criança, porque como nunca tive isto, me realizo com Luiza, e ainda levei Flávia para ajudar na tarefa, que também se esbaldou. Cesta cheia, meninas eufóricas, passamos para tirar fotos com o Papai Noel que já tinha chego, posamos com a decoração para as fotos do cartão de Natal, e voltamos pra casa.
Quer dizer, ainda fizemos um Pit Stop na Chilli Beans, de onde saí com 2 óculos, e Flávia e Luiza reclamando que também queriam.
O calor que tem andado sufocante, neste dia também estava, fazendo com que nos jogássemos na piscina as 5 da tarde, para refrescar, antes de montarmos a tão aguardada árvore.
Desembala, separa os enfeites das embalangens, tira a árvore da caixa, abre os galhos, encaixa, bota em pé, e começa a penduração de coisas, que não acabava nunca, e elas se divertiram até. Ligar o pisca-pisca e ver tudo brilhando foi a Glória.
Depois disto, entrei no gás do clima Natalino, incentivei Luiza a me ajudar em tudo, comprei presépio, expliquei o que era cada coisa nele, o porque da festa, que era o aniversário de Jesus, e que o Papai Noel viria neste dia trazer presentes, mas pra isto ela precisaria escrever uma cartinha e ser uma boa menina, inclusive não fazendo mais xixi no chão rs.. Escrever a carta com ela foi hilário, ela toda eufórica, colocou na árvore e ontem entregamos ao Papai Noel.
Alguém poderia me explicar de onde minha filha tirou a idéia de querer ganhar uma tartaruga, um coração e um peixe do Papai Noel? E tudo de mentira é claro...
Nossa árvore está lotada de presentes embaixo, porque sem família, resolvi presentear os amigos, a família adotiva e claro Luiza. Eu amo gastar, e em datas assim surto!
Eu detesto fazer planos antecipados, porque se não se concretizam, a frustação pode ser tremenda e acabo perdendo coisas que poderiam ser boas, por estar esperando algo diferente daquilo. Somente nesta semana decidi onde passarei o Natal, depois de analisar várias possibilidades, decidindo com a galera dos SM (Sem Família) que iremos para a casa da Natália, onde fui ano passado, e foi muito bom, ainda mais que a mãe dela adora um monte de gente.
Ufa.. depois de muita esperar este Post saiu e o Natal já é amanhã! E como sempre, imagens dizem muito mais que Palavras!
Então é Natal, e o que você fez? Não importa mais, importa o que você fará daqui para frente!
Escrito pela:Rêca Zucher
Hora:12:52
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Sábado, Dezembro 09, 2006
A filha que eu quero ter...
Plagiando o poema de Vinícius de Moraes, que virou música com a melodia do Toquinho e voz de Chico Buarque, o título tem muita a ver com o que tenho pensado nos últimos tempos, e sempre que penso nisto esta frase me vem a cabeça...
A filha que eu quero ter, que na verdade nunca pensei seriamente em ter, mas tive e hoje que tenho, fico pensando no que quero ter no futuro. Futuro meu e dela, não outro bebê, que isto fique bem claro por favor rs...
Percebo que conforme Luiza cresce, meus questionamentos crescem também, me fazendo pensar o que nos aguarda no futuro.
Quando digo futuro, não me refiro há 10 anos a frente, mas sim no nosso amanhã, depois de amanhã, porque a cada dia que passa, vejo as diferenças, sinto as dificuldades, vivo o dia-a-dia transpondo os obstáculos da tarefa Herculínea que é ser Mãe, e me maravilho com a incrível posição de expectadora de um ver um ser virando gente.
Através da história, vimos tantas tribos de culturas passarem aos longos dos anos. Lá se foram os adeptos do estilo Rock'n Roll de ser, Hippies, Punks, Grunges, Clubbers, Pattys e hoje os Emos, e isto me faz pensar no que o futuro me reserva, com Luiza adolescente, tentando ser o que? Mas antes dela chegar a adolescência, tantas outras coisas virão, e na verdade muitas delas já estão aqui, fazendo com que eu não me angustie com isto, porque preciso viver o hoje, o agora.
Que Mãe nunca se perguntou ao ouvir determinada frase, de onde sua cria tirou aquilo? Como diz minha mãe, crianças nesta faixa etária, são como esponjas, absorvem tudo, assimilam e armazenam, para te devolver em uma hora bem adequada para elas, e imprópria para você, te fazendo passar aquelas vergonhas, que daqui 20 anos, você vai contar ao namorado (a) dela(e), fazendo com que ela é que morra de vergonha. Imaginem eu mostrando as 100000000000000000000 de fotos de Luiza, de tudo quando é jeito aos pretendentes dela?
E já que falei em namorado, quem me garante que será mesmo um namorado e não uma namorada?
Pegando o gancho do post do dia 26/11 da Pri das Fadas, sobre sexualidade infantil, isto é algo que em determinadas situações me fazem pensar no que será, porque assim como como ela, eu me assusto com os "isso é de menino" que Luiza me diz, tendo um exemplo claro hoje, quando eu estava colocando calcinha nela, que me disse:
- Esta é igual do Tito, e imediatamente se corrigiu,
- Calcinha é de menina, de menino é cueca!
Apesar de minha criação evangélica, onde homossexualidade é tratada como possessão demoníaca, desvio de personalidade, ou sei lá mais o que, menos como algo natural, assim como a Pri, acho que a pessoa já nasce assim, porque isto é notável em algumas crianças, principalmente meninos, que muitas vezes sofrem desde a infância com as imposições dos pais que tentam a todo custo massacrar a opção sexual, que nesta idade a criança nem faz idéia do que seja, tentando fazer com que o menino seja sempre macho e a menina uma flôr de femilidade. E quem disse que não existem gays machos e lésbicas femininas? É o preconceito do esteriótipo, em que todo gay é uma bicha louca e toda lésbica uma mulher macho.
Seja o que minha filha for, o amor que sinto por ela sempre será o mesmo. Porque Amor de Mãe é visceral, incondicional, intenso e espero conseguir transmitir a ela tudo o que sinto, e que preconceitos são formas deturpadas de ver as pessoas, porque todos somos diferentes, e não existe diferença melhor ou pior, apenas diferenças ué.. que nos fazem seres únicos.
Personalidade é algo que eu sempre comentei aqui, porque Luiza tem uma que Santo Deus, me descabela desde a maternidade, onde ela berrou uma noite inteira, com uma força que ecoava pelo corredor inteiro, fazendo com que a enfermeira de plantão viesse ver o que estava acontecendo, tentando acalmá-la e mesmo com toda a experiência dela, nada foi capaz de parar com aquilo. Em casa, ela chorava tão alto para tomar banho, que se ouvia da rua, e não parecia que havia um RN em casa, com aquele chorinho meio gemido, mas sim uma criança grande, com um pulmão enorme.
Agora que ela cresceu, como mesmo ela diz, "Sou gande", quando convém né? Porque senão me responde com um:
- Sou pequena, você é "gande" mamãe.
Percebo aos poucos que personalidade é algo levemente moldável, ou talvez a palavra seja influenciável, onde sinto que posso por alguns limites, melhorar algumas coisas, tentar educar, mas que sempre me afrontará de algum modo.
Exemplo clássico:
Terça-feira Luiza mexendo em um porta retrato na sala, tirou a foto da Bilica, falando que era feia, acho que porque está com saudades, aí fica com raiva e se expressa assim, quando foi tirar o vidro do porta-retrato, eu falei que não podia, que era pra ela parar e arrumar. Prontamente ela se virou pra mim, gaguejou e disse:
- É, é, é, mas meu PAI deixa.
Eu olhei pra ela, e bem séria falei:
- Seu pai não deixa nada, porque esta casa é minha, quem paga as contas sou eu e quem manda aqui sou EU!
No mesmo momento ela arrumou o porta-retrato e saiu murchinha.
Eu olhei pra minha amiga que estava junto, e rachei de rir, porque Mãe solteira de pai ausente, mereço ouvir algo assim, né?
É, a tão temida fase do meu pai chegou, as vezes ela o chama de Tiago, mas por causa da escola, fala muitas coisas sobre pai, sem pé nem cabeça, em situações que percebo que fala porque ouviu alguém falar, e eu fico tranqüila, impassível, não reprimo, mas também não incentivo, porque tenho minha consciência limpa sobre o que faço. Certo ou errado? Não sei, mas adequado ao momento que vivemos.
As frases dela andam incríveis e incrivelmente malcriadas também, porque não deixa nada passar em branco e diante de algumas delas, eu fico estática, demoro pra responder, porque preciso segurar o riso, para fazer o que é preciso.
Eu me vejo nela, quando responde rapidamente, porque eu sempre fui assim, do tipo "curta e grossa", com uma resposta atravessada na ponta da língua, tanto que me chamavam de Saraiva na faculdade, tamanha a falta de noção e impaciência para falar as coisas rs...
A semelhança não é apenas física ou no modo de falar, mas no jeito de cruzar as pernas quando está deitada, no jeito de mexer a cabeça, e quem não viu, tem um Scrap está ali, no final do post, que mostra muito isto, porque até hoje eu sento do mesmo modo que aos 2 anos de idade, sempre em cima da perna direita, tendo até um calo na lateral do tornozelo.
- Luiza, vai pegar sua mamadeira lá em cima.
- Eu não, pega voxê.
- Eu não, você vai ficar sem mamar então.
Eu não cedo fácil assim não, afff menina mandona, não sei pra quem puxou!
- Luiza guarde seus brinquedos.
- Não, garda voxê.
- Então não vou lá pegar sua chupeta.
- Ahhh... - respondeu começando a recolher as coisas.
- Ponto, gaidei tudo.
E eu sorrindo de orelha a orelha com minha chantagem que deu certo rs..
- Luiza, olha a florzinha.
- Aiiiiiiiiiii que linda - num tom irritantemente meigo - é cororida.
E por acaso ela ja viveu na era preto e branco?
Dormimos em uma cama de casal King Size, de um lado eu coloco travesseiros para ela não cair e eu deito no outro com ela no meio. Ontem ela rodou, rodou na cama, aía me empurrou e falou:
- Ai, tá apeitado!
Olhei bem pra ela, levantei e fui dormir em outro quarto rs...
- Luiza, o que você quer que o Papai Noel traga pra você.
- Hmmmm.. pensativa, um colaxão, uma tataruga, e um pexe!
- Mas de verdade?
- Não, de mentirinha.
Alguém pode me dizer como ela sabe o que é verdade ou mentira, e de onde ela tirou esta combinação estranha de presentes?
- Luiza, o Papai Noel vai trazer presente para você?
- Vai, pra mim, pra mamãe, pro Goca - e assim vai, falando o nome de todo mundo.
Luiza me vendo com a máquina fotográfica na mão passando pela sala, vai até o lado a árvore de Natal, para, faz um pose e me fala:
- Assim?
Como quem diz, a pose ta boa? Tira logo rs.. e eu nem ia tirar foto dela hahahahaha
Agora pouco eu dirigindo e ela pedindo pra eu colocar a sandália dela, e eu mandando esperar chegar em casa, aí cansei de falar e disse:
- Ai que saco!
- Não sou saco - toda indignada - Sou Luiza.
E veio até em casa falando baixinho.
- Num sou saco, num sou saco...
Huahauhauhauhauhauhuahuahua eita menina ofendida!
Se brigo com ela, abre a boca a chorar e fala:
- Voxê bigou comigo.
- A mamãe bigou comigo.
E choraaaaaa...
Outro dia até sonhando falava isto, que coração de mãe aguenta? Ai Deus, como Mãe sofre para educar estes seres de menos de 1 metro!
Percebo que ela está numa fase um tanto quanto dengosa, carente, pede para dormir comigo, colo a todo momento, chora por qualquer alteração no meu tom de voz, nem que seja apenas um pouco mais firme, e quando você anda a beira de um ataque de nervos, cheia de problemas em casa e no trabalho, isto é terrível, porém...
Algo que aprendi nestes 3 anos como Mãe, porque a gestação também conta, é claro, que tudo são fases, com seu lado bom ou ruim, e tudo passa, deixando sempre uma saudade imensa dos bons momentos, e lições inesquecíveis daqueles nem tão bons assim.
E por fim, que Filha que eu quero ter? Aceitarei com todo meu Amor de Mãe aquela que o futuro vier a me oferecer.
"A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos" .(John Lennon)
__________________________________________________________
P.S: Próximo Post: clima de Natal, os preparativos, a cartinha para o Papai Noel, o Aniversário de Jesus rs... e alguma outra insanidade que acometer meus dedos na hora de digitar!
Escrito pela:Rêca Zucher
Hora:13:58
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Terça-feira, Dezembro 05, 2006
Fênix: Rêca, renascendo das Cinzas
Eu sempre afirmei com muita convicção, que pra mim, Blog sempre foi muito além de um simples Diário On Line, que escrever era (é) minha Terapia de alto nível e baixo custo.
Já fiz terapia tradicional, e não me encontrei naquilo, aliás o terapeuta me achou muito da bem resolvida, e eu acho que sou mesmo, porque consigo analisar as coisas, pensar, pesar e concluir o que deve ou não ser feito, agora se coloco isto em prática, já são outros quinhentos.
11 dias sem Blog, sem ameaças de posts, sem atualizações de Flog ou Vídeo, totalmente reclusa em minha vida Orkutiana e Messengeira, o que foi muito bom, porque produzi Scrapbooking feito doida, fiz meus cartões de Natal, este novo template para quando voltasse ano que vem, ou seja, curti a liberdade do fato de não precisar escrever e minha cabeça pôde descansar.
Porém, o descanso começou a virar piração, porque se não escrevo, a cabeça ferve, a cabeça dói, os pensamentos armazenados convertem-se em um redemoinho assustador, me deixando tonta, sugando tudo para si, me deixando lesada, perdida, aérea, ou seja, praticamente um ser não pensante e inexistente.
Perdida em minha Blogvida anterior de Querido Diário, esqueci da utilidade terapêutica do Blog, e nos dias que tenho vivido, isto fez falta, muita falta, aliás, virou necessidade de primeira instância e cá estou eu.
Eu já disse uma vez que no tempo do descobrimento diziam que "Navegar era Preciso", hoje eu digo, que "Escrever é Preciso!". Escrever para registrar, escrever para desabafar, escrever para não pirar, escrever para exercitar, escrever por escrever...
Se Penso Logo Existo, se eu não pensar serei um nada? Eu tenho certeza que se não escrevo, sou quase um nada, aliás sou algo sim, um algo muito louco, muito instável, com a cabeça a mil, que não pensa com clareza, e não age no momento certo tamanha a lentidão de raciocínio. Acho que quando não escrevo, meus neurônios deixam de fazer sinapses, afetando meu corpo de modo geral.
Então é isto, voltei a escrever porque não aguentava mais minha cabeça doendo, porque estava enlouquecendo com tanta idéia rodopiando em meu cérebro já deteriorado, porque senti falta disto aqui, porque adorei os pedidos de volte, porque como eu disse no texto abaixo, pra mim escrever é vital, algo incrustrado em minha personalidade, que pode tirar férias, desanimar, mas jamais morrer.
Aí fico me perguntando porque não vivo em Hogwarts, porque não sou Alvo Dumbledore, e principalmente porque NÃO TENHO uma penseira. Isto me pouparia muitas digitações menos, muitas palavras seriam economizadas, porque expor tudo o que se passar nesta cabeçona não é fácil.. ai que inveja viu!
O texto já está deste tamanho e ainda nem comecei a despejar o que me aflige. Não está interessado? Clique no X no canto direito superior da tela e tchau, simples assim.
Agora se você é um típico brasileiro, que ama uma Novela, um dramalhão Mexicano, acomode-se, porque a diversão dos próximos minutos está garantida, com direito a muito drama e cenas dignas de serem protagonizadas por Thalía, em uma de suas várias Marias da vida.
Sexta-feira, peguei Luiza na escola, e ao olhar a agenda, um bilhete avisando que não haveria aula na 2ª feira. Meu primeiro pensamento foi de indignação por algo assim tão repentino e descabido, e depois o que fazer com esta menina em plena segunda feira?
1 - Arrumar uma babá;
2 - Faltar ao trabalho;
3 - Mudar o dia da diarista da terça para a segunda.
Assim foi feito, a diarista viria na segunda e ficaria com ela, coisa que já fez e ela adora.
Segunda-Feira (ontem), 7 horas da manhã, tililim...tililim..., telefone tocando, o marido da diarista avisando que ela havia acabado de desmaiar no banheiro enquanto se arrumava para vir trabalhar e estava levando-a ao PS. Diagnóstico, ameaça de parada cardíaca (aos 30 anos) por remédio prescrito errado, porque ela estava tratando uma taquicardia louca, e deram algo tão forte, que o coração quase parou.
Depois do choque inicial, comecei a pensar no que fazer com minha pequena, dei banho, me arrumei, esperei ficar menos cedo, e liguei para minha ex vizinha, mãe da Flávia, que havia passado o sábado comigo, para ver se ela não podia me quebrar esta árvore, e como quebrou. Ufa...
Toca o telefone no trabalho, era o marido da diarista, que aliás é meu funcionário, avisando como ela estava, que vai ter que fazer repouso, etc.. etc.. ou seja, estou sem empregada.
Sem contar que o dia no trabalho foi caótico, falta de sistema, computador enlouquecido, funcionários mais enlouquecidos ainda, reuniões para que não se matassem, ou seja, inferno astral a galope! Lembrando que o final do ano está aí, e ao invés de trabalharmos em e, trabalherei sozinha, porque os outros 2 estão com as férias vencidas e vão aproveitar para tirar.
Saí, peguei Luiza, passamos na casa da ex-sogra da Bilica e fomos pra nossa casa. Vale ressaltar a capacidade de adaptação e entendimento da minha menina, que quando expliquei que não haveria ninguém na escolinha, mas que eu precisava trabalhar, e ela teria que ficar o dia todo na casa da Flávia, concordou, ficou e se comportou muitíssimo bem! Brincando com a Flávia, indo junto a pé levá-la na escola, e dormindo por 2 horas a tarde.
Hoje de manhã, fizemos tudo como costume, e fui deixá-la na escola, me pediram para subir e conversar, porque ontem teve reunião a noite e eu de tão atordoada com a história dela não ter aula, de estar sem empregada nem lembrei. Subi já apreensiva, para ser informada que a escola está fechando, aliás, já fechou, por inadimplência dos pais. Ô gente cara de pau que manda os filhos para a escola e não pagam? Acham que os outros também não tem conta para pagar e compromissos a serem honrados?
Ou seja, o caos voltou a se instalar na minha vida. Preciso arrumar urgente alguém que olhe Luiza até minha prima poder vir de SBC ficar com ela, preciso arrumar uma nova empregada, preciso procurar outra escola, e ainda trabalhar, cuidar da minha casa, filha, cachorra, e vida!
Saí da escola arrasada, porque apesar dos problemas que tive por causa das tais bolinhas no ouvido, de todas as que visitei na cidade, foi a única que gostei e que Luiza ama de paixão, mas não vou me desesperar, porque agora maior, com praticamente 2 anos e meio quando iniciar o ano letivo, ela já será maternal e isto muda o tipo de escola a ser procurada, tendo mais opções para esta faixa etária na cidade, e eu assim como a Val, prefiro uma escola pequena, aconchegante, uma extensão da própria casa, deixando para daqui uns 2-3 anos, algo naquele regime que conhecemos tão bem, mais impessoal, com turma grande, regras mais rígidas, que chega um momento que cansa, satura, extressa, porque apesar de tudo, ela ainda é quase um bebê.
Eu admiro a imensa capacidade de compreensão da minha filha, e a maturidade com que ela enfrenta estas situações todas, de sermos apenas eu e ela, da tia ter ido embora, de as vezes precisar ficar com algum amigo (a) meu para eu fazer algo, de passar o dia na escola numa boa, de ser como é, independente e bem resolvida, modo de ser que torna nossa vida um pouco mais leve.
Porque eu sofro com todas estas mudanças, porque eu gosto e preciso de estabilidade, porque se fico sem chão, me sinto totalmente impotente quando esta avalanche de situações me engole, maquinando um modo de não afetar tanto a vidinha dela, que aparentemente aceita tudo muito melhor do que eu, fazendo minha consciência materna pesar, porque ela não é um pacote que despacho de um lugar para outro, ou um móvel que mudo de lugar conforme meu estado de espírito.
Criança precisa de segurança, estabilidade, rotina, e como manter isto quando se depende de serviços prestrados por outros, que te abandonam no meio da jornada? Se tiver uma resposta, escreva um livro, que venderá mais que "O Monge e o Executivo" e naõ esqueça de me oferecer uma dedicatória por idéia tão brilhante.
Coisas assim que fazem pensar em como é ruim depender dos outros, mesmo quando este outro é remunerado, em como é ruim não ter família por perto, em como é ruim não sermos auto-suficiente, em como a tarefa de ser mãe-mulher pesa.
Decisões, escolhas, decisões, é o que me aguarda pelos próximos dias.
Óh Deus, dai-me forças, porque somente tu tem sido uma constante nesta vida louca que tenho levado.
Ufa.. que venha o próximo capítulo, quero dizer, texto, onde tentarei reunir as últimas da Luiza, porque somente isto pra me fazer sorrir e esquecer um pouco todo este caos que me assombra.
"A esperança é o alimento de nossa alma, ao qual sempre se mistura o veneno do medo".(Voltaire)
Escrito pela:Rêca Zucher
Hora:21:46
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